Jornalista e desde 2005 escritor, José Roberto Vieira Botelho teve o primeiro contato com o Bairro de Olaria em 1957, aonde sua mãe, viúva, fora morar levando os nove filhos: sete mulheres e dois homens. A região ainda conservava certos aspectos da vida rural. Havia bois, porcos, bodes, cabritos, coelhos, porquinhos-da-índia, frangos, galinhas e outros bichos. Com nove anos de idade, Vieira Botelho ficou maravilhado com aquela bicharada toda, com alguns bichos até andando soltos pelas ruas, como era o caso do afamado cavalinho Jipe, que pertencia a Seu Nelson, pai do garoto Tião. Aquela sua alegria toda se justificava, pois estava gozando as inéditas delícias da liberdade como recém-saído de um internato de quase três anos na Fundação Ataulpho de Paiva, em Paquetá. Parte da infância, toda a juventude e grande pedaço da vida adulta Vieira passou em Olaria, que   ainda hoje de chamar de Pedro Ernesto, singela homenagem ao maior prefeito que o Rio de Janeiro já teve. Em 1977, recém-casado, por insistência de sua mulher foi morar no Bairro do Cachambi, também na Zona Norte da Cidade do Rio de Janeiro. Mas, em 2005, voltou a residir em Olaria, onde ainda está.
Iniciou-se no jornalismo em 1965, quando, aos 16 anos, exerceu a função de redator do jornalzinho apoiado pela Juventude Operária Católica, quando participava de um grupo de jovens da Matriz de São Geraldo, em Olaria, à época em que o pároco era o padre José Maria. Nos grandes jornais, começou em 4 de setembro de 1969, como repórter, no Jornal do Brasil, deixando-o em meados de 1971, por conta própria (estava sendo muito perseguido fora do jornal). Retornou em 1978, saindo em 1989. Entre idas e vindas (1997 a 2004), trabalhou ao todo mais de 20 anos para o JB, em diversas funções: repórter, revisor, copidesque, secretário gráfico e redator especial. Em 1990 foi para o jornal O Dia, onde ficou por quatro anos, como revisor e copidesque, e cumulativamente secretário gráfico auxiliar de A Notícia, pertencente ao mesmo grupo. Passou ainda pela Gazeta Mercantil, em que trabalhou como revisor para o encarte Jornal do Mercosul. Na esfera pública, de abril de 1972 a janeiro de 1980 foi funcionário da Fundação IBGE, sendo demitido por motivos políticos e perseguição profissional, quando então lhe cassaram o emprego de assessor de imprensa na Diretoria de Divulgação, que exercia há mais de dois anos. Prestou serviços e ainda trabalha como freelancer para algumas editoras sediadas no Rio de Janeiro e fora dele, além de dispor seus conhecimentos profissionais para várias fundações voltadas para pesquisa histórica, literatura, bibliografia etc., como a Fundação Biblioteca Nacional. Surdo desde 2005, volta-se mais para a carreira de escritor.
Profissional do texto há mais de 40 anos, trabalhando para vários jornais e editoras, Vieira Botelho colocou à disposição do leitor ou leitora toda a experiência adquirida em sua lida com palavras impressas. Assim, para viabilizar o pretendido, resolveu juntar o útil ao agradável: dedicou-se a escrever crônicas que recordassem pessoas, fatos e feitos ocorridos em sua querida região, numa feliz recordação da convivência que teve, em sua infância, juventude e maturidade, com personagens dignos de figurar em uma antologia humana de primeiríssima qualidade.
As crônicas geraram dois livros (Um Cronista Suburbano, em 2005, e Um Cronista Suburbano II, em 2011), partes de um projeto maior: uma série com cinco obras. A Olaria, com quem tem uma relação amorosa de mais de 50 anos, o autor faz diversas deferências, sobretudo a personagens históricos, como os admiráveis Juranda, Coramina, Zé Maria Canelinha de Louça, Orestes (“O Palito”), Pai Tomé das Mortes, Tião Mentirão, Puruca, Periguéti e tantos outros que também estarão em livros posteriores, como o inesquecível Valdir Pescador e os gêmeos bons de bola Pedro e Paulo, conhecidos como irmãos Caveira, bem como os craques Nélson, Alcininho, Silvinho, Nilo, Hércules, Periquito, Adélson Escovino (o “Alfaiate da Bola”), Danilo, Livinho, Amarelo, Ézio, Marquinhos, Canário, Zé Luís Pontinha, Serrinha, Fujico, Haroldo, Zé Jorge e muitos outros que aparecerão ao decorrer das histórias. Pretende lançar este ano o terceiro livro da série e procura parceria ou patrocinador. Do seu primeiro livro, restam pouquíssimos exemplares.

 

Mais sobre o autor:

 

Trabalhou nas seguintes publicações como copidesque e revisor:

 

 

 

 
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